Honduras | 31 de Outubro de 2011
Sílvia Alvarez de Tegucigalpa

Em Tegucigalpa, milhares de pessoas foram até a sede do Tribunal Superior Eleitoral, na manhã do dia 30 de outubro, para acompanhar a inscrição do partido Liberdade e Refundação (Libre), o novo instrumento de luta da resistência hondurenha. Manuel Zelaya Rosales, presidente deposto por um golpe de Estado em 2009, entregou cerca de 80 mil assinaturas - o dobro das exigidas para a efetivação do partido no Tribunal.
“Sob o lema ’a revolução é inevitável em Honduras’, apresentamos hoje os requisitos de lei para a inscrição de uma nova força política em Honduras. É meu dever informar a esta sociedade e aos representantes do Estado aqui presentes, que o povo hondurenho iniciou, desde suas bases, um movimento muito forte que não vai parar até conseguir a liberdade e a refundação deste país”, afirmou Zelaya, na cerimônia de inscrição do partido.
O ex-mandatário considerou a formações do Partido Libre como o fim do tradicionalismo político histórico no país, liderado pelos partidos Liberal (do qual Zelaya foi expulso ao retornar a Honduras) e o Nacional. “Estamos iniciando uma nova era, de abertura democrática, de um socialismo democrático. E essa nova era tem um nome: partido Liberdade e Refundação”, afirmou.
De acordo com o dirigente sindical Carlos Reyes, a base da transformação do país deve ser a Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP) – organização que congrega vários movimentos e organizações sociais desde o golpe de Estado – já que o Partido Libre é um braço político e uma demanda da FNRP. “Nos alegra que estamos construindo um partido, mas nos alegra mais que a FNRP se constitua em uma verdadeira força social e política, que seja a base de sustentação de qualquer triunfo do Libre”, afirmou Reyes. “Se a FNRP não é forte, de nada servirá a vitória do Partido Libre”, concluiu.
Fruto da diversidade ideológica que compõe a resistência hondurenha, o Partido Libre já nasce com cinco correntes internas, sendo a principal delas a Força de Refundação Popular (FRP), liderada pela coordenação da FNRP. As correntes concorrerão a cargos de condução do partido nas eleições internas, em 2012.
No pleito eleitoral de 2013, Zelaya não poderá candidatar-se a presidente já que a atual Constituição de Honduras não permite a reeleição. Xiomara Castro, sua esposa, é apontada pela resistência como possível candidata do Libre.
O Tribunal Superior Eleitoral tem 100 dias para dar uma resposta definitiva sobre a oficialização do Partido Libre.
Foto:Felipe Canova
Fonte:: Brasil do Fato desde Honduras http://www.brasildefato.com.br/content/partido-libre-%C3%A9-o-novo-instrumento-de-luta-da-resist%C3%AAncia-hondurenha
Categorías: Derechos Humanos - Golpe de Estado en Honduras

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